19/11/2024
09/10/2023
O projeto “Várias Mãos, Uma Cultura: Retratos da Arte Popular Pernambucana” vem sendo desenvolvido em duas etapas. A primeira delas foi contemplada pelo edital do Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura) e resultou na produção e lançamento de cinco fascículos digitais, cada um dedicado a um artesão: Jaime Nicola (Jaboatão dos Guararapes), J. Borges (Bezerros), Cida Lima (Belo Jardim), Marcos de Sertânia (Sertânia) e Maria da Cruz (Petrolina).
Para desenvolver esse material, nossa equipe pegou a estrada em uma viagem de carro que partiu de Recife rumo ao Sertão. Foram quatro dias intensos de muita estrada e pesquisa. Já havíamos entrevistado Jaime Nicola e J. Borges, por estarem mais próximos da capital. Nessa viagem, nossa primeira parada foi em Belo Jardim, onde fomos conhecer de perto o trabalho de Cida Lima. Chegamos no final do dia e, logo na manhã seguinte, seguimos para o Sítio Rodrigues, local onde Cida mora e trabalha. Ela começou a moldar o barro ainda criança, mas foi com o apoio de um projeto da empresa Moura que ganhou destaque com suas peças de cerâmica decorativa.
De lá, seguimos para Sertânia. Lá, além de compartilhar sua trajetória conosco, Marcos nos apresentou um projeto arquitetônico em andamento: um ateliê-galeria que pretende se tornar um ponto de referência para os artesãos da região. Depois de provar um delicioso bode num restaurante simples e acolhedor da cidade de um amigo de Marcos, seguimos viagem e pernoitamos em Salgueiro.
Nossa última parada foi em Petrolina, onde fomos recebidos por Maria da Cruz no Centro de Arte e Cultura Ana das Carrancas. Ela abriu os portões inicialmente um pouco desconfiada, mas logo abriu os braços e o coração para nossa equipe. A visita foi leve e afetiva. Tivemos a sorte de também podermos ver a exposição “Nas Dobras do Tempo”, sobre Ana das Carrancas, em cartaz no Sesc Petrolina. À noite, parte da equipe retornou a Recife, enquanto eu permaneci por mais um tempo para aprofundar a pesquisa nos museus e espaços culturais e conhecer melhor a cidade natal do meu marido.
Esse projeto foi desenvolvido para criar um acervo pessoal de cada artesão, reunindo narrativas contadas por eles e por pessoas que fizeram parte da sua trajetória. Também resgatamos imagens de acervos pessoais e registros feitos pela fotógrafa. Para a nossa equipe essa viagem foi além de um projeto. Foi uma imersão na nossa história e na alma do nosso estado, foi um resgate a nossa cultura e para ficar ainda mais especial, foi carregada de afetos.

Cida Lima em sua casa no Sítio Rodrigues – Belo Jardim

Letreiro se Sertânia com as esculturas feitas por Marcos

Equipe do projeto com Maria da Cruz no Centro de Arte e Cultura Ana das Carrancas